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Do epicentro da Governança Corporativa, os auditores internos veem uma melhoria modesta

Do epicentro da Governança Corporativa, os auditores internos veem uma melhoria modesta
28/01/2021



Muito já foi escrito de todos os ângulos imagináveis sobre os impactos do COVID-19, desde sobre a cultura do local de trabalho, a gestão de talentos e os modelos de negócios em evolução, até as mudanças nas interações sociais e na moda. Boa parte dessa escrita é baseada principalmente em observação e análise.

Hoje, o IIA, em colaboração com o Neel Corporate Governance Center da University of Tennessee, lança um exame fidedigno do impacto da pandemia sobre a governança corporativa, que se baseia em dados de pesquisa sólidos.

O American Corporate Governance Index, devidamente intitulado Making Strides Amid Crisis, conclui que a governança corporativa melhorou modestamente no ano passado, apesar da atmosfera caótica e desafiadora criada pela rápida disseminação desse vírus mortal. Na verdade, a melhor pontuação do índice sugere que "o foco alimentado pela pandemia sobre a gestão de crises, as avaliações atualizadas de riscos e um alinhamento mais forte entre os participantes do gerenciamento de riscos podem ter contribuído para o melhor desempenho na governança geral".

A melhoria, de uma nota média C+ em 2019 para um B- ligeiramente melhor em 2020, reflete a governança corporativa entre as empresas listadas nas bolsas de valores dos EUA. As pontuações são baseadas em dados coletados de pesquisas de chefes executivos de auditoria (CAEs) que avaliaram suas organizações nos oito Princípios de Orientação da Governança Corporativa do índice.

O relatório deste ano encontra melhorias modestas, embora consistentes em todos os oito princípios, mas nem todas as notícias são positivas. Como em 2019, o ACGI constata que os conselhos recebem notas baixas quanto a questionar as afirmações da gestão e à verificação das informações recebidas do C-Suíte.

Outras observações importantes do relatório deste ano fornecem informações perspicazes e de nuances sobre os impactos da pandemia, com base em uma variedade de métricas de governança corporativa. Por exemplo:

  • O tamanho da empresa (receita) e a indústria assumiram um papel maior na explicação da variação nas pontuações do ACGI.
  • Durante os períodos de risco elevado, as empresas em setores regulamentados (serviços financeiros, e de transporte e serviços públicos) têm uma governança mais forte, independentemente do tamanho da empresa.
  • Maior separação nas pontuações de governança entre empresas menores e maiores foi observada quando as empresas operam em setores não regulamentados, nos quais é mais provável que "maior" seja "melhor".

O índice também fornece detalhes interessantes sobre como a estrutura da gestão e as linhas de reporte da auditoria interna podem influenciar a governança corporativa geral em empresas que reportam receitas abaixo de $10 bilhões. Acredito que essas descobertas são especialmente importantes para a auditoria interna.

A pesquisa constatou que os entrevistados que descreveram suas estruturas de reporte da gestão como bastante simples — em que as questões materiais chegam ao CEO em questão de uma ou duas linhas de reporte — têm uma probabilidade substancialmente maior de ter altos níveis de governança. Estruturas de reporte simples também tiveram a menor incidência de baixas notas de governança.

Embora seja difícil imaginar tais reportes diretos em grandes corporações — afinal, o CEO não pode estar intimamente envolvido em todos os detalhes da operação —, a lição aqui é que há valor em manter os principais tomadores de decisões informados e conscientes. Isso defende a ideia de que a auditoria interna tenha linhas de reporte claras ao CEO e ao conselho.

Os dados relativos às linhas de reporte reforçam ainda mais esse ponto. O relatório conclui que a estrutura de reporte administrativo dos CAEs também é um forte sinal da força da governança geral. Do relatório:

Com base nas respostas da pesquisa, 43% dos CAEs que reportam administrativamente ao comitê de auditoria e 42% que reportam administrativamente diretamente ao CEO atribuíram altas notas de governança geral às suas organizações. A porcentagem de altas notas de governança geral cai para 29% entre os CAEs que reportam administrativamente ao CFO. Em organizações de todos os tamanhos, a qualidade da governança é mais forte quando o CAE reporta administrativamente ao comitê de auditoria ou CEO, e mais fraca quando o CAE reporta ao CFO.

Esses dados são um forte argumento em favor da própria estrutura de reporte que o IIA vem defendendo há décadas. Os dados da pesquisa “podem sugerir que as empresas com governança mais forte estão mais dispostas a dar aos CAEs maior autoridade e independência dentro da organização, ao reportarem diretamente ao comitê de auditoria ou CEO, evitando assim que a gestão filtre ou aplique pressão para alterar os relatórios de auditoria interna antes que cheguem aos principais líderes da organização”, de acordo com o relatório do ACGI.

Escrevo há muitos anos sobre minha forte convicção de que as funções que reportam ao CFO têm um viés consciente ou subconsciente em relação aos reporte financeiro, o que pode limitar a capacidade da auditoria interna de servir à organização. Em minha opinião, a análise do ACGI confirma isso. O relatório conclui que “os CAEs que reportam diretamente ao CEO ou ao comitê de auditoria têm maior probabilidade de serem autorizados a avaliar e fornecer recomendações sobre um escopo mais amplo de riscos”.

Em ambos os casos, as linhas de reporte que permitem a prestação direta de avaliação objetiva e independente ao CEO e ao conselho claramente beneficiam a organização e levam a melhores decisões sobre governança.

Este artigo do blog é apenas um olhar superficial sobre o relatório informativo do ACGI deste ano. Em apenas seu segundo ano, o índice já está fornecendo dados valiosos e perspicazes que podem e devem ajudar as organizações a melhorar sua governança corporativa, sejam elas de capital aberto ou não.

Como sempre, aguardo seus comentários.

 

Richard F. Chambers, presidente e CEO do Global Institute of Internal Auditors, escreve um blog semanal para a InternalAuditor.org sobre questões e tendências relevantes para a profissão de auditoria interna.

 

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