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Fato ou Mito: Todos os Auditores Internos São Contadores

Fato ou Mito: Todos os Auditores Internos São Contadores
15/10/2018



Na semana passada, encontrei-me mais uma vez na frente de estudantes de contabilidade em uma das melhores universidades do país. Comigo, estava o presidente do conselho do The IIA, Naohiro Mouri. Estávamos lá para conscientizar sobre as oportunidades da auditoria interna para recém-formados em contabilidade. Mas tivemos que seguir uma linha delicada ao incentivar esses alunos a seguir uma carreira em auditoria interna. Conversamos com eles sobre as incríveis oportunidades na auditoria interna, mas tivemos que admitir que provavelmente não dependeriam das habilidades contábeis que estão aprendendo na faculdade.

Há seis anos, escrevi aqui que um dos mitos mais comuns sobre a auditoria interna era que todos os auditores internos vinham de um contexto contábil. Naquela época, os planos e cronogramas de auditoria interna dedicavam mais recursos a questões operacionais. As análises de conformidade estavam em ascensão, os riscos tecnológicos cresciam exponencialmente e muitos departamentos de auditoria interna estavam começando a oferecer novos serviços de consultoria. Como resultado, os especialistas previram que, dentro de alguns anos, a maioria dos auditores internos viria de origens não contábeis.

Desde então, nossa profissão realmente se tornou mais diversificada e, hoje, a maioria de nossas auditorias gira em torno de questões não financeiras. De acordo com a pesquisa do Pulse of Internal Audit de 2018, do Audit Executive Center do The IIA, menos de um quarto dos esforços de auditoria interna são alocados a riscos financeiros. Então, isso significaria que os auditores internos não são mais contadores? A resposta não é tão direta quanto pode parecer.

Embora seja verdade que grande parte do nosso trabalho não esteja diretamente relacionado à contabilidade, a maioria dos auditores internos tem experiência em contabilidade. Na verdade, o Relatório de Benchmarking do The IIA indica que possuímos credenciais de contabilidade pública na mesma proporção em que possuímos a designação de Certified Internal Auditor (CIA).

A alta proporção de auditores internos com habilidades contábeis resulta, em parte, de nossas práticas de contratação. A pesquisa Pulse indica que os Chief Audit Executives (CAEs) procuram predominantemente por candidatos com títulos contábeis e financeiros (classificados como “extremamente” ou “muito desejáveis” por 76% dos CAEs). Em contraste, menos da metade considerou outros tipos de formações de negócios como extremamente ou muito desejáveis. Para alguns departamentos de auditoria interna e para muitas funções de auditoria do governo, a formação em contabilidade ou equivalente é um requisito absoluto.

Parece que a maioria dos CAEs deseja contratar contadores, mas isso não significa que eles estejam procurando por “contadores de feijão”. Quando pediram que listassem as habilidades para as quais estavam recrutando, suas três principais escolhas foram: raciocínio analítico/crítico, comunicação e visão de negócios. O conhecimento de contabilidade e finanças mal chegou ao top 10.

Não há dúvida de que muitos contadores são auditores internos ideais. Profissionais formados em contabilidade são treinados em raciocínio analítico e em negócios, então, as faculdades de contabilidade são um lugar lógico para procurar talentos. Mas a pesquisa Pulse aponta que, ao buscar competências de raciocínio analítico/crítico, comunicação e visão de negócios, “não há motivo para supor que os candidatos com formação em contabilidade ou finanças tenham uma vantagem substancial sobre os que tenham experiência operacional e técnica”.

No mercado de trabalho da atualidade, a contratação feita com “visão em túnel” (visão limitada) pode ser cara. Os departamentos de auditoria interna precisam ter pessoas com as competências certas para responder de forma rápida e decisiva a riscos novos ou emergentes. Mas encontrar as pessoas certas não é fácil. Mais de 90% dos CAEs relatam dificuldades em recrutar profissionais experientes e 60% expressam dificuldade em recrutar profissionais para cargos de entrada.

A grande maioria dos CAEs afirma ter lacunas de habilidades – lacunas que podem dificultar a prestação dos serviços de auditoria necessários. Na pesquisa Pulse, mais de um quarto dos CAEs relataram estar extremamente ou relativamente propensos a excluir áreas do plano de auditoria devido a lacunas. Mais da metade disse que era extremamente ou relativamente provável que fizesse o trabalho apenas na medida das competências internas. E cerca de um terço declarou estar extremamente ou relativamente propenso a atrasar o trabalho, até que as competências externas pudessem ser desenvolvidas.

Essa é uma lacuna de habilidades que não podemos permitir que exista. No entanto, políticas antiquadas de estruturação de equipe às vezes restringem nossas decisões de contratação, por excluir candidatos bem qualificados. No governo federal dos EUA, por exemplo, para ser classificado como auditor, deve-se ter “um diploma em uma área relacionada, como administração de empresas, finanças ou administração pública, que inclua ou seja complementado por 24 horas por semestre em contabilidade”. Essa exigência garante que quase todos os auditores do governo sejam graduados em contabilidade. No entanto, grande parte do trabalho de auditoria feito no governo concentra-se em outros riscos que não os financeiros. A mesma situação é predominante no setor corporativo.

As consequências para as funções de auditoria interna que exageram na especialização contábil, excluindo a especialização em outros riscos críticos, podem ser significativas. As auditorias internas podem ser canceladas ou atrasadas, ou os escopos reduzidos devido ao déficit de conhecimento. Os departamentos de auditoria podem não ter agilidade para responder rapidamente a problemas novos ou emergentes, simplesmente devido às limitações da equipe. Os controles não auditados inevitavelmente falharão, levando à pergunta igualmente inevitável: "onde estavam os auditores internos?"

Precisamos garantir que nossas funções de auditoria interna possam fornecer, com competência, uma gama diversificada de serviços. Para fazer isso, precisamos de uma gama diversificada de habilidades. Algumas dessas habilidades são contábeis e financeiras; outras não. O desafio é garantir que tenhamos funcionários suficientemente competentes para lidar com todos os riscos significantes às nossas organizações. Não é um trabalho fácil.

Quais são suas opiniões sobre habilidades versus expectativas?

 

Divulgação:

Richard F. Chambers, presidente e CEO do Global Institute of Internal Auditors, escreve artigos semanais para a InternalAuditor.org sobre assuntos e tendências relevantes para a profissão de auditoria interna.

 

Tradução: IIA Brasil

Revisão Técnica da Tradução: Jose Antonio Tiro Rodriguez, CIA.

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