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O Desafio Tecnológico da Auditoria Interna Não É Um Caminho Fácil

O Desafio Tecnológico da Auditoria Interna Não É Um Caminho Fácil
15/04/2019



Costumo referir-me ao final do primeiro trimestre como “temporada de whitepapers” para a profissão de auditoria interna. Começando tipicamente no fim de fevereiro, indo até março, vários participantes importantes da profissão publicam relatórios que oferecem um vislumbre de como estamos nos saindo.

 

Dois relatórios divulgados recentemente devem criar sérias preocupações sobre o lento progresso da auditoria interna na adoção e adaptação tecnológica para cumprir com suas responsabilidades: a pesquisa Internal Audit Capabilities and Needs da Protiviti, Embracing the Next Generation of Internal Auditing; e o relatório State of the Internal Audit Profession da PwC, Elevating Internal Audit’s Role: The Digitally Fit Function.

 

O relatório da Protiviti indica que três em cada quatro grupos de auditoria interna estão passando por alguma forma de inovação ou transformação, mas a maioria está apenas iniciando essa jornada. Além disso, um número significativo de funções ainda precisa dar o primeiro passo. Pior ainda, “menos de uma em cada três funções de auditoria interna tem um roteiro, atualmente, para guiar suas jornadas de inovação e transformação”, de acordo com o relatório da Protiviti.

 

Os esforços da auditoria interna para se tornarem “aptas digitalmente”, conforme descrito no relatório da PwC, são pouco inspiradores da mesma forma. Para os fins do relatório, a PwC define aptidão digital como composta por dois elementos importantes. Em primeiro lugar, a função tem em vigor as habilidades e competências para oferecer aconselhamento estratégico aos stakeholders e para prestar avaliação no que diz respeito aos riscos da transformação digital da organização. Em segundo lugar, a função está mudando seus próprios processos e serviços, para se tornar mais orientada a dados e mais digitalmente capaz.

 

Embora o relatório da PwC revele que 19% das funções de auditoria interna estão aptas digitalmente e outros 27% estão dando passos definitivos em direção à aptidão digital, 54% são descritas como iniciantes, que estão começando atividades relevantes ou planejando-as “de formas muito mais ad hoc.”

 

Isso é especialmente preocupante quando se considera há quanto tempo a profissão tem falado sobre a atualização e a transformação de seus processos. Minha mensagem para os participantes da conferência General Audit Management do The IIA, em março, abordou muitos dos mesmos temas. Em minha apresentação, Auditing at the Speed of Risk, lamentei as baixas taxas de adoção das tecnologias de nova geração por parte da profissão, a confiança em abordagens fracas para identificar riscos emergentes e atípicos, e alterações mínimas em processos de auditoria que já existem há décadas.

 

O que é preciso é uma mudança transformacional, que foi o tema do Pulse of Internal Audit de 2018 do The IIA. The Internal Audit Transformation Imperative incitou os profissionais a adotar a agilidade, a inovar, a elevar o nível de talento e a se envolver mais com os conselhos. As palavras finais do relatório são relevantes e urgentes como nunca:

 

O progresso da auditoria interna no passado e os êxitos alcançados não serão suficientes para levar a profissão adiante. Os tempos atuais exigem mudanças de mentalidade e de atitude em todos os auditores internos. A complacência levará à irrelevância, mas movimentos decisivos por parte dos CAEs impulsionarão a auditoria interna à frente, através da transformação necessária.

 

Não quero ser alarmista, mas os stakeholders estão exigindo mais da auditoria interna. Relatórios como os da Protiviti e da PwC sugerem que não estamos prontos para atender a essas demandas.

 

Eu debati se deveria usar uma analogia de encruzilhada para finalizar essa mensagem. De início, achei um pouco clichê. Toda crise não precisa ser uma escolha entre um caminho ou outro. Mas, nesse caso, uma ligeira modificação à metáfora da encruzilhada traz um importante nível adicional de clareza e urgência.

 

A maioria das pessoas enxerga uma encruzilhada como estradas que se cruzam e que oferecem alternativas ao caminho a seguir. Mas essa visão é tipicamente bidimensional, como os eixos X e Y em um gráfico de quadrante. A realidade é que existe uma terceira dimensão.

 

Nesse caso, o eixo Z oferece uma métrica de quão íngreme tornou-se a jornada em direção à aptidão digital. Até nos comprometermos, como profissão, a inovar nossas abordagens, a atualizar processos obsoletos e lentos e a adotar a tecnologia, o grau ficará mais íngreme a cada dia que passa. A outra direção do eixo Z oferece uma estrada mais fácil. Claro, essa estrada é toda em declive, que é um caminho que não podemos nos dar ao luxo de tomar.

 

Como sempre, aguardo seus comentários.

 

Divulgação:

Richard F. Chambers, presidente e CEO do Global Institute of Internal Auditors, escreve artigos semanais para um blog da InternalAuditor.org sobre assuntos e tendências relevantes para a profissão de auditoria interna.

 

Tradução: IIA Brasil

Revisão Técnica da Tradução: Fábio de Figueiredo Pimpão, CIA, CCSA, CRMA.

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