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O relacionamento da Auditoria Interna com o assessor-geral pode ser complicado

O relacionamento da Auditoria Interna com o assessor-geral pode ser complicado
18/01/2022



Por Richard Chambers

 

Como um chefe executivo de auditoria recém-nomeado, muitos anos atrás, tentei logo identificar os outros executivos da organização que seriam nossos aliados mais fortes. Eu reportava ao CEO, mas rapidamente estabeleci um relacionamento forte com o COO, o CFO e o assessor-geral (o diretor jurídico). Eu sentia que todos apoiaram nossa missão e foram defensores do trabalho que realizamos. Então, de repente, tive um atrito com um deles e o relacionamento ficou seriamente prejudicado.

Durante a execução de uma auditoria. uma das minhas equipes de auditoria descobriu uma possível violação legal no uso de fundos do governo para um projeto de construção. Os funcionários responsáveis da gestão ​​foram irredutíveis quanto a terem feito tudo corretamente e até mesmo obtiveram um parecer jurídico antes da construção. No entanto, reportei a descoberta da auditoria imediatamente ao CEO, que ficou alarmado com as possíveis consequências. No dia seguinte, recebi um telefonema do assessor-geral, dizendo que o CEO havia pedido a ele que investigasse o problema. Sem hesitar, perguntei como ele poderia revisar objetivamente algo que seus advogados haviam aprovado? Ele concordou e timidamente reconheceu que meu comentário era válido.

Durante minha próxima atualização com o CEO, ele mencionou que o assessor-geral tinha dito a ele sobre minha objeção quanto ao envolvimento posterior da equipe jurídica interna. O CEO indicou que um advogado externo seria contratado para conduzir a investigação. Mas, então, ele disse algo que eu não esperava: “Richard, você nunca deve questionar o assessor-geral. Ele está sempre ao seu lado e fará o que for certo para a organização.” Ouvi o que o CEO disse, mas eu não tinha certeza de qual lado o assessor-geral realmente estava quando as cartas estavam na mesa.

Avancemos 25 anos e esse ainda é um tópico que surge com frequência durante as discussões da mesa redonda de auditoria interna, e não faltam opiniões a respeito. Muito frequentemente, os CAEs expressam frustração quanto aos assessores-gerais que, segundo eles acreditam, estão mais preocupados com os riscos legais e de reputação do que em proporcionar à auditoria interna a oportunidade de articular totalmente os resultados de seu trabalho.

Com certeza, os riscos legais e de reputação são importantes. No entanto, os assessores-gerais, muitas vezes, preferem eliminar todos esses riscos dos relatórios de auditoria interna – de fato, impedindo a auditoria interna de compartilhar informações críticas com o conselho ou comitê de auditoria.

Ao longo dos anos, aprendi sobre ações pesadas por parte de vários advogados corporativos – por exemplo, quando auditores internos foram persuadidos a se abster indevidamente de caracterizar certas despesas estrangeiras como violações da lei americana Foreign Corrupt Practices Act. O argumento mais frequentemente apresentado é que as despesas em questão são "pagamentos de facilitação" legais. Diante de uma experiência jurídica intimidadora, os auditores internos frequentemente cruzam seus braços, deixando escondidas informações potencialmente críticas.

 

Como Robert Mundheim (ex-Reitor da Escola de Direito da Universidade da Pensilvânia) observou há vários anos, “o assessor jurídico deve prestar assessoria sobre o ambiente jurídico e as responsabilidades legais”. Corretamente, Mundheim também aponta: “o papel do assessor-geral como parceiro da alta administração realmente cria tensões. O assessor-geral deve manter a capacidade de fazer julgamentos profissionais claros e de ter a coragem de levantar questões junto ao tomador de decisões apropriado se, por exemplo, o curso de ação proposto levantar questões de conformidade com a lei”.

Não estou sugerindo, de forma alguma, que o CAE deva desconsiderar o conselho do assessor-geral. Em vez disso, acredito que devemos ser cautelosos ao aceitar a orientação do assessor-geral como infalível. Quando se trata do relacionamento do CAE com o assessor-geral, sugiro que seja guiado por pelo menos cinco princípios:

  • Confiança mútua de que cada parte está agindo no melhor interesse da organização.
  • Respeito pelos respectivos papéis de cada parte e pelo prisma através do qual cada um enxerga os riscos.
  • Comunicação contínua, para promover um gerenciamento eficaz dos riscos, controles internos e governança corporativa.
  • Colaboração, para garantir que os riscos sejam gerenciados com eficácia e que os controles internos sejam criados e implantados com eficácia em toda a organização.
  • Reconhecimento do direito de cada parte de concordar em discordar, quando justificado.

Esse último princípio raramente deve ser necessário, mas, quando for, ambas as partes devem concordar que o comitê de auditoria do conselho deve ser informado e, quando apropriado, deve arbitrar os pontos de desacordo. O princípio visa permitir que cada parte defenda seu argumento ao ver as coisas de um ponto de vista fundamentalmente diferente.

De volta à pergunta original: “o assessor-geral é um amigo ou um inimigo?” Certamente, seria contraproducente para uma organização se a resposta fosse “inimigo”. No entanto, não é realista presumir que o assessor-geral sempre concordará com a auditoria interna. Em vez disso, caracterizo o melhor relacionamento como um de “colegas de profissão”. O assessor-geral deve ser defensor da auditoria interna, não seu adversário.

Minha própria jornada com o assessor-geral de minha empresa teve um final feliz. Após o encontro constrangedor sobre a orientação jurídica do contrato, trabalhamos mutuamente para reconstruir a confiança. Posteriormente, ele admitiu que estava mais envergonhado do que zangado por eu ter questionado sua objetividade. Posteriormente, lidamos juntos com outras questões jurídicas complicadas que surgiram de nossos relatórios de auditoria e permanecemos bons amigos, mesmo depois que deixei a organização.

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        © 2021 Richard F Chambers and Associates, LLC. Used with permission.

        Autor: Richard F. Chambers. Texto publicado em 29 de novembro de 2021,

        no site oficial do Richard Chambers.

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