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O The IIA Redesenhará as Linhas de Defesa?

O The IIA Redesenhará as Linhas de Defesa?
05/12/2018



A boa governança é parte arte, parte ciência e, provavelmente, um pouco de sorte e magia. Mas, quando é alcançada, a recompensa é uma organização que atinge metas de forma consistente, que atende os interesses dos stakeholders, que apoia a geração de valor a longo prazo e que alimenta uma cultura saudável.

 

O problema é que não deve haver abordagem de “tamanho único”. Cada organização enfrenta riscos, desafios e oportunidades únicos que agregam variabilidade aos seus esforços. Mas a importância de encontrar a combinação certa de regras, práticas, controles, estruturas e processos que apoiem a boa governança vale o esforço. Não é de surpreender que tantas ferramentas e modelos tenham sido desenvolvidos ao longo dos anos para explicar ou promover as melhores práticas que posicionam as organizações para atingir o sucesso.

 

Um modelo que ganhou ampla aceitação e popularidade é o das Três Linhas de Defesa. Ao longo de mais de duas décadas, inúmeras organizações adotaram o modelo, atraídas por sua simplicidade na descrição das responsabilidades de gerenciamento de riscos e controle em três "linhas" separadas – uma que é proprietária e que gerencia os riscos (primeira linha), uma que apoia o gerenciamento de riscos (segunda linha) e uma que presta avaliação e aconselhamento independente de auditoria (terceira linha).

 

Muitos acreditam que o The IIA inventou o modelo das Três Linhas de Defesa. Enquanto as origens precisas do modelo estão sujeitas a debate, o The IIA não o originou. Em 2013, o The IIA publicou uma declaração de posicionamento em apoio ao modelo, em parte por conta do forte reconhecimento que proporciona ao papel vital da auditoria interna na terceira linha, como prestador de avaliação independente.

 

No entanto, nos últimos anos, os críticos vêm afirmando que as "linhas" fixas do modelo o tornam inflexível demais para os atuais desafios dinâmicos de governança e que seu foco sobre a defesa limita sua eficácia. Os cenários de risco complexos da atualidade evoluem continuamente e os rápidos avanços tecnológicos oferecem tanto rupturas quanto oportunidades. Além disso, conforme as organizações desenvolveram novas abordagens para lidar com os riscos, as "linhas" tornaram-se menos distintas, causando sobreposições frequentes das responsabilidades da primeira, segunda e terceira linhas.

 

Além das preocupações com a indefinição das linhas de defesa, outros notaram que o modelo das Três Linhas de Defesa tem a ver com "proteger o valor" e que não aborda realmente a importância de melhorar o valor. O novo plano estratégico do The IIA enfatiza que a auditoria interna "deve ser reconhecida como fundamental para melhorar e proteger o valor organizacional". Para que isso aconteça, a auditoria interna deve ser retratada como mais do que apenas uma terceira linha de proteção do valor.

 

Chegou a hora de dar uma nova olhada nas Três Linhas de Defesa e dar a este instrumento confiável uma reforma digna do século XXI. Impulsionado pelo apoio de especialistas em governança dos setores público e privado, acadêmicos, reguladores e representantes das quatro grandes empresas de contabilidade, o The IIA embarcou em um projeto para atualizar o modelo.

 

Como disse o Presidente do Conselho da The IIA, Naohiro Mouri, no comunicado à imprensa que anunciou o ambicioso projeto:

"Nosso objetivo não é substituir as Três Linhas de Defesa ou inventar um novo modelo, mas garantir que ele possa acomodar as nuances e dinâmicas que vemos em diferentes organizações, para que elas possam alavancar e aprender umas com as outras de forma mais eficaz e estratégica.”

 

“Também devemos adotar o conceito de que o risco vai além da defesa. A incerteza cria riscos e cria oportunidades. Deve-se considerar ambos os lados na tomada de decisões e no planejamento em todos os níveis. As organizações devem decidir a maneira mais apropriada de alocar e estruturar os recursos e as responsabilidades dentro de suas organizações, usando as Três Linhas de Defesa a seu favor.”

 

Este projeto de um ano de duração é liderado por um grupo de trabalho formado por especialistas em governança, que aproveitará as vastas experiências de um grupo consultivo adicional de 30 membros. O projeto inclui uma revisão abrangente das abordagens de governança do mundo todo, e incorporará comentários públicos por meio de um processo formal de exposição. Por fim, o projeto resultará em uma nova declaração de posicionamento do The IIA sobre o assunto, prevista para o segundo semestre de 2019.

 

Desde o início, o objetivo do The IIA tem sido explorar a melhor forma de atualizar o modelo das Três Linhas de Defesa para refletir as mudanças no gerenciamento de riscos e governança modernos, ao mesmo tempo que preservando sua abordagem direta e clara. Mantendo sua intenção original, a atualização se concentrará nos papéis, não nas estruturas organizacionais. Em resposta a críticas, o objetivo é tornar o modelo mais flexível, adequado a todos os setores e compatível com os desafios e oportunidades que os riscos oferecem. Como muitos de vocês, aguardo ansiosamente o resultado do trabalho desse grupo de especialistas em governança de classe mundial e de um processo minucioso e inclusivo.

 

Minha intenção em compartilhar a notícia da iniciativa Três Linhas de Defesa do The IIA é informar você sobre este importante projeto e gerar expectativa para uma consideração animada e produtiva do rascunho de exposição, que está previsto para o começo do ano que vem.

 

O modelo original atendeu bem muitas organizações por muitos anos. Minha sincera esperança é que a versão atualizada também o faça.

 

Divulgação:

Richard F. Chambers, presidente e CEO do Global Institute of Internal Auditors, escreve artigos semanais para a InternalAuditor.org sobre assuntos e tendências relevantes para a profissão de auditoria interna.

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