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Os Auditores Internos Precisam Morar em uma Casa de Teto Inquebrável

Os Auditores Internos Precisam Morar em uma Casa de Teto Inquebrável
29/10/2018



Há muito, acredito que os auditores internos têm um desafio mais difícil do que o de muitos outros em uma organização. É difícil sustentar uma reputação de objetividade, quando vivemos e trabalhamos no mesmo ambiente em que desempenhamos nossas responsabilidades de auditoria – às vezes por alguns anos, às vezes ao longo de toda uma carreira. Todo mundo está observando a auditoria interna, para ver se estamos fazendo o que pregamos. Já ouvi falarem de nós como “exemplos para as organizações”, e que “somos constantemente avaliados por aqueles que auditamos”. Chamo isso de ter um alvo nas costas. Se a auditoria interna não seguir as políticas organizacionais, ou apenas parecer que não as está seguindo, as consequências afetarão a confiança depositada no departamento e cada auditor interno pertencente a ele.

Ninguém espera que os auditores internos sejam perfeitos. Somos humanos, afinal. No entanto, se as falhas fizerem com que os outros questionem nossa ética, perderemos uma vantagem significativa que provavelmente prejudicará nossa capacidade de sermos percebidos como conselheiros confiáveis. Se a administração estiver ciente de até mesmo pequenas transgressões éticas, sua resposta quando oferecermos conselhos ou recomendações na conclusão de nossos trabalhos provavelmente será: "por que eu deveria ouvi-lo? Ele tira dias de férias sem contabilizá-los". Ou "ela entregou um relatório de despesas falho e teve que reembolsar a empresa".

 

Os auditores internos não podem se dar ao luxo de ser vulneráveis. Nosso comportamento deve estar acima de qualquer suspeita, se quisermos aconselhar os outros. E não se surpreenda se, na primeira vez que você denunciar um gerente sênior por uma infração ética séria, de repente cada pequena infração que você cometeu for jogada de volta em cima de você.

Nem a auditoria interna pode falhar em cumprir seus compromissos. Um chief audit executive altamente respeitado apontou recentemente para mim que os auditores internos precisam entender que têm um compromisso tanto com a organização em que trabalham quanto com um grupo amplo e diversificado de stakeholders. "Temos que andar em uma linha fina, entendendo as necessidades da empresa, as necessidades do conselho, as necessidades da administração e as necessidades dos investidores", explicou. "Se não formos confiáveis, e se as pessoas com quem trabalhamos não forem confiáveis, deixamos a porta aberta para fraudes."

 

Acredito que a maioria dos auditores internos atue consistentemente de forma ética. Mas lapsos ocasionais acontecem e, quando acontecem, costumam virar notícia. Muitos de nós nos lembramos muito bem de alguns casos importantes. Para cada caso altamente divulgado de um auditor interno em apuros por transgressões éticas, há provavelmente outros montes cujas transgressões foram tratadas fora da visão pública. As ações de auditores internos antiéticos constituem uma imensa traição, não apenas em relação a seus empregadores e ex-colegas, mas também à sua profissão. A auditoria interna tem muitas responsabilidades, dentre elas a de supervisora ​​ética. Neste papel, como a esposa de César, deve estar acima de qualquer suspeita.

Para olhar por outro ângulo, todos já ouvimos o ditado de que aqueles com teto de vidro não deveriam atirar pedras. Mas, às vezes, como auditores internos, nosso trabalho é jogar uma pedra ou outra. Então, se vamos atirar pedras – e, é claro, vamos –, é melhor termos certeza de que o teto de nossa casa seja inquebrável. Um compromisso firme com o comportamento ético, aliado a um programa forte e eficaz de garantia de qualidade e melhoria, ajudará a evitar que cacos de vidro nos machuquem.

 

Uma maneira de tornar a função de auditoria interna inquebrável é garantir que as pessoas certas estejam nela. Devemos examinar cuidadosamente aqueles que são trazidos a bordo, para garantir que não haja ocorrências que possam sinalizar uma bússola moral desregulada. Todos devemos nos responsabilizar para viver de acordo com os mais altos níveis de conduta ética.

O The IIA reconhece que o comportamento ético é crucial para o funcionamento de nossa profissão. Todos os membros do The IIA do mundo todo, juntamente com aqueles que possuem uma certificação do The IIA, devem estar em conformidade com o
Código de Ética do The IIA. Ao promulgar seu código, o The IIA declara: "o objetivo do Código de Ética do Instituto é promover uma cultura ética na profissão de auditoria interna". Recentemente, o The IIA foi além e especificou que "os indivíduos certificados devem completar duas horas de CPE (a cada ano) dedicadas ao assunto da ética".

Como observei anteriormente, não acredito que a profissão de auditoria interna tenha um "problema de ética". Vamos todos trabalhar duro para garantir que continue assim.

 

Divulgação:

Richard F. Chambers, presidente e CEO do Global Institute of Internal Auditors, escreve artigos semanais para a InternalAuditor.org sobre assuntos e tendências relevantes para a profissão de auditoria interna.

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