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Por que acham que os auditores internos estão procurando problemas?

Por que acham que os auditores internos estão procurando problemas?
03/03/2021



Na semana passada, a popular tirinha de quadrinhos "Dilbert" assumiu a percepção/reação da gestão sobre os auditores internos. Como todas as tirinhas do Dilbert, há verdade suficiente na piada para chamar nossa atenção e ser provocante. Devo admitir que sorri. Certamente, encontrei membros da gestão que não me queriam, ou minha equipe de auditoria interna, bisbilhotando em seus departamentos. Mas sempre chegamos a um acordo.

Depois da minha diversão inicial quanto ao quadrinho, me perguntei: por que a gestão assume com tanta frequência que estamos lá apenas para "encontrar problemas?" Até os gerentes me olhavam nos olhos e diziam: "sei que você tem que encontrar algo errado para justificar a auditoria". Às vezes, eu sentia que olhavam para nós como olhamos para um policial de trânsito. Muitas vezes, nos perguntamos se eles têm uma cota para o número de multas de trânsito que têm que emitir. Espero que chegue o dia em que sejamos universalmente apreciados por ajudar a "prevenir" problemas, em vez de "encontrá-los".

Nossa profissão fez muito progresso na superação de percepções como a retratada em Dilbert. Mas o estereótipo persiste. Como explorei em um artigo recente no blog, temos trabalho a fazer para ajudar as pessoas a entender o que fazemos e como o fazemos. Alguns anos atrás, eu escrevi um artigo no blog, intitulado "Five Classic Myths About Internal Auditing". Conforme eu refletia sobre a mensagem que Dilbert transmitia sobre a auditoria interna, lembrei-me desses cinco mitos — especialmente o Mito 2: "Auditores internos são detalhistas e buscam falhas" e o Mito 5: "A auditoria interna é a polícia corporativa".

Mitos podem nos dizer muito sobre nós mesmos — ou, pelo menos, sobre como os outros veem o mundo. Mas parece que os mitos mais imprecisos são os mais difíceis de dissipar, particularmente se houver um grão de verdade neles. E embora cada um dos "cinco mitos" seja geralmente falso, o fato de serem tão duradouros nos mostra que ainda precisamos fazer um balanço de como somos vistos em nossas próprias organizações e pelos stakeholders aos quais atendemos. Fazemos coisas para reforçar esses mitos? Ou precisamos fazer um trabalho melhor de criar consciência de como a profissão mudou? Você será o juiz:

 

Mito 1: Auditores internos são "contadores de feijão", assim como os contadores.

 

Uma das percepções equivocadas mais comuns sobre a auditoria interna é a de que os auditores são "contadores de feijão", que se concentram apenas nos registros financeiros de suas empresas. Há um grão de verdade óbvia neste mito: um histórico sólido em auditoria ou contabilidade pode ser útil para uma carreira em auditoria interna. Mas um plano anual típico de auditoria interna, atualmente, dedica menos de 25% dos recursos de auditoria interna aos riscos financeiros. Em vez disso, os auditores internos estão mais provavelmente concentrados em riscos de fraude, questões de conformidade e uma miríade de questões operacionais que não estão relacionadas à contabilidade, e é provável que o histórico do auditor seja tão diverso quanto as operações que audita.

 

Um diploma de contabilidade não é o único caminho para o sucesso na carreira e, hoje em dia, não é nem o caminho mais comum. Pesquisas do Audit Executive Center do IIA indicam que os executivos de auditoria estão recrutando agora candidatos com habilidades de raciocínio analítico/crítico, habilidades de mineração de dados, tino comercial e conhecimentos de TI com mais frequência do que buscam candidatos com treinamento contábil.

 

Mito 2: Auditores internos são detalhistas e buscam falhas.

 

No cerne de várias piadas sobre os auditores internos está a percepção equivocada de que estamos ansiosos em desmantelar processos e arruinar a reputação das pessoas que fazem o "trabalho real". De acordo com esse mito, os auditores internos são vistos como o grupo que "açoita os feridos após o fim da batalha", distraindo a gestão de responsabilidades mais importantes.

Na realidade, é claro, o foco da auditoria interna está nos principais riscos, em vez de em mínimos detalhes. Os recursos de auditoria interna são limitados e, quando os auditores concentram muita atenção em questões menores, estão limitando o tempo disponível para lidar com os principais riscos e controles que estão no centro da auditoria interna. Um bom auditor interno prefere reportar uma economia de custos de US$ 6 milhões do que um erro de US$ 6!

 

Mito 3: É melhor dizer nada aos auditores, a menos que perguntem especificamente.

 

Esse mito pode ser prejudicial, de modo que é lamentável que esse conselho tenha sido dado em mais de um artigo sobre "Como Sobreviver a uma Auditoria". Os clientes de auditoria às vezes recebem esse conselho de amigos bem-intencionados, mas isso resulta em auditorias menos eficientes e desperdiça o tempo de todos. Se os auditores internos acreditarem que seus clientes estão ocultando informações propositadamente, seja por omissão ou comissão, eles normalmente aumentarão o escopo da auditoria, para determinar se outras informações importantes não foram reportadas. O objetivo da auditoria interna é agregar valor e melhorar as operações de uma organização, e ocultar informações é contra os interesses de todos.

 

Mito 4: Os auditores internos seguem um ciclo na seleção de seus "alvos" de auditoria e usam checklists padronizados, para que possam auditar as mesmas coisas da mesma forma todas as vezes.

 

Este mito é menos verdadeiro a cada ano que passa. Nossas Normas profissionais exigem planos baseados em riscos para determinar nossas prioridades, tanto no desenvolvimento de planos e cronogramas de auditoria interna quanto no planejamento de auditorias individuais. Obviamente, alguns riscos justificam a repetição de auditorias e há alguns tipos de auditorias — por exemplo, certas revisões de conformidade exigidas pelos reguladores — nos quais programas de auditoria e checklists dificilmente verão grandes mudanças de um ano para o outro. Mas, em geral, a auditoria interna tornou-se uma profissão dinâmica, que deve mudar a qualquer momento em que os riscos de uma organização mudem.

 

Mito 5: A auditoria interna é a "polícia" corporativa.

 

Como o lorde Justice Topes disse uma vez: "o auditor é um cão de guarda, não um cão de caça." Na minha experiência, os melhores auditores internos são quase sempre aqueles que criam uma relação com seus clientes. Quando o comportamento dos auditores internos é acusativo ou agressivo, eles estão muito mais propensos a ser recebidos com resistência do que quando tratam as descobertas como uma oportunidade de ajudar a atingir objetivos e facilitar a melhoria. Quebrar esse estereótipo é tão importante que a maioria dos grupos de auditoria interna incentivam ativamente que os clientes pensem na auditoria interna como um treinador, não como um policial.

 

Cada um desses mitos estava mais próximo da realidade no século XX do que hoje. É fácil pensar em alguns exemplos específicos em que uma ação que reforce esses estereótipos possa ser justificada. Infelizmente, há muitos casos em que os auditores internos estão desnecessariamente perpetuando esses mitos. Algum dos mitos clássicos é verdade sobre você ou sua função de auditoria interna? Se assim for, talvez seja hora de dar uma boa olhada no que você está tentando realizar e como você planeja atingir seus objetivos.

 

Mudar percepções leva tempo e, muitas vezes, requer os esforços combinados de muitos indivíduos para quebrar um estereótipo. A imagem da nossa profissão está melhorando rapidamente, mas é necessário mais trabalho para melhorar a compreensão dos nossos stakeholders sobre a profissão. Cada um de nós pode ajudar a eliminar os mitos e percepções equivocadas — seja através de pequenos passos, como passar notícias pertinentes aos clientes, ou através de contribuições maiores, como compartilhar conhecimentos de auditoria em um seminário ou conferência.

 

Cada função de auditoria interna é única, e a sua perspectiva pode ser diferente da minha. Seu departamento de auditoria interna fez progressos reais recentemente em dissipar algum desses mitos? Se sim, por favor, conte-me como isso funcionou para você.

 

Richard F. Chambers, presidente e CEO do Global Institute of Internal Auditors, escreve um blog semanal para a InternalAuditor.org sobre questões e tendências relevantes para a profissão de auditoria interna.

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