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SEC dos EUA: é melhor que riscos ambientais, sociais e de governança estejam em seu radar

SEC dos EUA: é melhor que riscos ambientais, sociais e de governança estejam em seu radar
19/03/2021



As organizações estão sob crescente pressão dos acionistas, reguladores e stakeholders importantes para reportar questões ambientais, sociais e de governança (ESG). O movimento para mensurar e reportar com precisão os impactos que as organizações têm sobre o meio ambiente, clima, recursos naturais, força de trabalho e comunidade (e suas implicações éticas relacionadas) está mudando rapidamente a forma como o público interage e valoriza as empresas e as instituições governamentais.

O mundo dos negócios está claramente reagindo. Em 2011, 20% das empresas do S&P 500 publicaram relatórios relacionados à sustentabilidade, de acordo com o Governance & Accountability Institute. Hoje, esse número é de 90%. Não é de surpreender, então, que a mensuração da exatidão desse novo discurso venha sofrendo maior escrutínio regulatório.

A Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (Securities and Exchange Commission – SEC) anunciou em 4 de março que criou uma Força-Tarefa de Clima e ESG de 22 membros dentro da Divisão de Execução para monitorar como as organizações reportam suas divulgações climáticas e relacionadas ao ESG aos investidores. Com base no anúncio, é claro que a força-tarefa está focada em aplicar regras de reporte.

“Abordar proativamente lacunas emergentes de divulgação que ameaçam investidores e o mercado sempre foi fundamental para a missão da SEC”, disse a Vice-Diretora Interina de Execução Kelly L. Gibson, que liderará a força-tarefa, no comunicado da SEC. “Essa força-tarefa reúne uma ampla gama de experiência e conhecimento, o que nos permitirá policiar melhor o mercado, investigar má conduta e proteger os investidores”.

Os auditores internos estão bem posicionados para apoiar suas organizações nesta área de risco em evolução. Embora a maioria dos regulamentos sobre o reporte de ESG seja relativamente nova, os processos para avaliar a eficácia e a eficiência de qualquer regime de conformidade regulatória são bem estabelecidos — validando que os processos de reporte são completos, precisos, tempestivos e relevantes.

O primeiro passo deve ser que os auditores internos atualizem suas avaliações de riscos nesta área e consultem os stakeholders no conselho e no C-Suíte sobre se são necessárias mudanças no plano de auditoria. O IIA planeja publicar um IIA Bulletin sobre este assunto esta semana para apoiar seus membros.

A ação da SEC serve como excelente exemplo da importância de duas questões sobre as qual escrevi repetidamente ao longo dos anos. Primeiramente, a velocidade do risco está aumentando. Há apenas cinco anos, o ESG nem estava no radar de muitas organizações. Hoje, está crescendo rapidamente como um risco principal com consequências regulatórias, à reputação, à ética, aos acionistas e às operações.

No entanto, os auditores internos podem ainda não estar na melhor posição para apoiar suas organizações nesse risco complexo em geral. De acordo com o relatório OnRisk de 2021 do IIA, “todas as partes estão razoavelmente bem alinhadas com relação à capacidade das organizações de gerenciar riscos ambientais, sociais e de governança, que coletivamente compreendem a sustentabilidade. No entanto, a confiança é bastante baixa. Os CAEs classificam como muito baixo seu conhecimento pessoal sobre esta categoria de risco cada vez mais relevante”.

A segunda questão é a agilidade. Os auditores internos devem estar prontos não apenas para responder rapidamente às mudanças nas demandas dos stakeholders na avaliação de riscos, mas para mostrar o caminho quando as avaliações de riscos mostrarem mudanças na probabilidade e no impacto. O novo zelo da SEC de “policiar melhor o mercado, investigar má conduta e proteger os investidores” é um apelo claro para que os auditores internos informem e eduquem os stakeholders sobre esse risco regulatório em evolução.

Além da resposta imediata à mudança dos riscos regulatórios relacionados ao ESG, os líderes de auditoria interna devem estabelecer firmemente seu papel sobre o assunto dentro de sua organização. No mês passado, o IIA contribuiu com uma carta para uma audiência do Comitê de Serviços Financeiros da House of Representatives dos EUA, intitulada “Climate Change and Social Responsibility: Helping Corporate Boards and Investors Make Decisions for a Sustainable World” (“Mudanças Climáticas e Responsabilidade Social: Ajudando Conselhos Corporativos e Investidores a Tomar Decisões por um Mundo Sustentável”, em tradução livre). Nessa carta, defendi que a auditoria interna desempenha um papel crítico na sustentabilidade, além da simples avaliação do reporte.

“Embora válida, essa visão míope não aborda os inibidores naturais às organizações, impedindo que se faça mais para enfrentar de forma abrangente essa questão crítica”, segundo a carta. “A auditoria interna, como prestadora objetiva e independente de avaliação e assessoria com o objetivo de melhoria contínua, está idealmente posicionada para ajudar as organizações a encontrar a motivação e os meios para abraçar e incorporar medidas de sustentabilidade que possam melhorar tanto o desempenho organizacional quanto os objetivos sociais, econômicos e ambientais mais amplos.”

De fato, os auditores internos são geralmente encarregados de apoiar o gerenciamento de áreas fundamentais de risco operacional, incluindo as áreas estratégica, jurídica e compliance, que historicamente representam até 80% do portfólio de riscos de uma organização.

A auditoria interna não pode estar de fora de riscos tão críticos. Ela deve melhorar sua compreensão sobre esta questão, educando os profissionais sobre os riscos emergentes relacionados à sustentabilidade e sobre como ela se encaixa nas prioridades operacionais e estratégicas da organização. Também deve articular claramente o valor da “avaliação independente” no reporte do ESG, uma vez que os reguladores se concentram cada vez mais nessa área.

Como sempre, aguardo seus comentários.

 

Richard F. Chambers, presidente e CEO do Global Institute of Internal Auditors, escreve um blog semanal para a InternalAuditor.org sobre questões e tendências relevantes para a profissão de auditoria interna

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