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Todo Momento de “Onde Estava a Auditoria Interna?” Apresenta uma Oportunidade

Todo Momento de “Onde Estava a Auditoria Interna?” Apresenta uma Oportunidade
01/04/2019



Um dos desafios constantes da auditoria interna é superar a imagem de convidado indesejado da festa. Não é comum que a auditoria interna, de fato, seja convidada. Refiro-me ao contexto do recente escândalo de admissão em faculdades nos Estados Unidos.

 

Após essa chocante violação dos processos e controles de admissão, há um crescente coro de vozes dizendo que, baseado nos riscos que estão obviamente presentes, é hora de incluir o processo de admissão das faculdades e universidades nos planos de auditoria interna. A profissão deve aceitar entusiasticamente o convite para tomar iniciativa e mostrar o valor da avaliação independente. De fato, devemos considerar cada momento de "onde estava a auditoria interna?" como uma oportunidade.

 

Vamos examinar as lições que podemos tirar do recente escândalo e como a auditoria interna poderia ter feito a diferença. Mas, primeiro, permita-me expor algumas informações importantes sobre o contexto.

 

Os procuradores federais indiciaram mais de 50 pessoas — incluindo celebridades de destaque — por um esquema para que candidatos que não tinham as qualificações necessárias fossem aceitos por faculdades altamente competitivas. As autoridades dizem que a elaborada fraude incluiu subornos a mentores, trapaça em vestibulares e "garantias" milionárias de admissão.

 

As consequências foram rápidas e significativas. Vários mentores foram demitidos, as admissões foram revogadas para alguns alunos e o Departamento da Educação dos EUA abriu uma investigação sobre as oito faculdades mencionadas na investigação federal, incluindo Yale, Stanford, a University of Southern California e Georgetown.

 

Então, o que podemos aprender com este escândalo?

 

Administrar a admissão em qualquer grupo pode ser arriscado. Práticas que envolvem a ponderação de qualificações para inclusão necessitam de controles e processos e, historicamente, o desejo de ser admitido levou pessoas a tentar contornar esses controles e processos. Há uma expressão em inglês que descreve essa prática. "Jogar com o sistema" é manipular as regras e procedimentos para alcançar um resultado pretendido. O escândalo das admissões é um exemplo perfeito de jogar com o sistema. Em um processo que envolve certo nível de subjetividade, a manipulação pode assumir muitas formas, incluindo suborno, fraude e corrupção.

 

Há riscos associados à confiança em organizações externas de avaliação. Neste escândalo, pais são acusados de pagar para que outros façam as provas universitárias padronizadas em nome de seus filhos ou que lhes forneçam as respostas das avaliações.

 

A maioria das faculdades e universidades nos Estados Unidos confia em pontuações padronizadas de avaliações como parte de seus critérios de admissão. Os dois mais conhecidos são o Scholastic Aptitude Test (SAT) e o American College Test (ACT). Ambos medem a capacidade dos graduados do ensino médio de fazer um trabalho de nível universitário e cerca de 4 milhões de estudantes fazem essas avaliações anualmente. Ambos os testes são executados por empresas independentes sem fins lucrativos.

 

Do ponto de vista de controles, a auditoria interna provavelmente questionaria a confiança em um terceiro para exames de admissão sem qualquer nível de supervisão. As faculdades e universidades não participam da criação, administração ou pontuação dos testes, mas dependem muito dos resultados das avaliações no processo de admissão.

 

Exceções formais às regras criam oportunidades de abuso. Exceções formais aos processos de admissão foram criadas para permitir que membros de qualquer grupo, incluindo minorias e atletas, tenham acesso ao ensino superior. Este último criou toda uma subcultura de risco associada aos esportes universitários.

 

No escândalo das admissões, as autoridades dizem que os treinadores universitários foram subornados para que candidatos fossem aceitos. Um exemplo de destaque envolve um casal de celebridades que supostamente pagou US$ 500.000 para que suas filhas fossem aceitas no time de remo da Universidade do Sul da Califórnia, embora nenhuma das duas nunca tivessem praticado o esporte.

 

A auditoria interna pode prover garantias sobre a eficácia dos controles e processos para qualquer exceção formal ao processo de admissão, incluindo como os candidatos são designados aos times e verificando quem realmente pratica o esporte.

 

Exceções informais geram confusão. O escândalo reflete os limites extremos a que alguns pais recorrem para garantir que seus filhos sejam aceitos em universidades e faculdades de elite. Esse esforço para "entrar pela porta dos fundos" claramente ultrapassa limites legais quando recorrem a subornos e fraudes.

 

No entanto, há muito tempo existem duas "portas dos fundos" informais para o processo de admissão. Um envolve consideração especial aos filhos dos doadores das faculdades e universidades. Esses casos, conhecidos como “developmental cases”, são uma parte conhecida, mas pouco explorada, da maioria dos processos de admissão em universidades. Da mesma forma, “legacy preference” ou “legacy admission” é uma prática generalizada, em que é dada preferência de admissão a candidatos que tenham uma relação próxima com ex-alunos da faculdade ou universidade.

 

Prover garantias sobre tais práticas seria incômodo e controverso para a auditoria interna, uma vez que as exceções não são inteiramente baseadas em critérios objetivos sobre os pontos fortes ou fracos de um candidato. Mas elas, de fato, proporcionam acesso às faculdades e universidades.

 

Não está claro se este escândalo das admissões levará a mudanças substanciais nos processos de admissão, motivadas por um desejo genuíno de transparência e responsabilidade. O que está claro é que tal transparência e responsabilidade exigiriam mudanças significativas nas práticas de admissão — sendo que algumas existem há séculos.

 

Como sempre, aguardo seus comentários.

 

Divulgação:

Richard F. Chambers, presidente e CEO do Global Institute of Internal Auditors, escreve artigos semanais para a InternalAuditor.org sobre assuntos e tendências relevantes para a profissão de auditoria interna.

 

Tradução: IIA Brasil

Revisão Técnica da Tradução: Gilberto Reis Filho, CIA, CCSA, CRMA, CFSA.

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