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Marinha dos EUA quer lançar 70% de seus Auditores Internos ao mar

Marinha dos EUA quer lançar 70% de seus Auditores Internos ao mar
12/03/2021



Os homens e mulheres corajosos que arriscam suas vidas por nossa defesa nacional também enfrentam perigos de riscos voláteis, como ciberataques e a pandemia de COVID-19. Além disso, cidadãos e contribuintes esperam, justamente, eficiência e eficácia nas operações de defesa. Então, por que a Marinha dos EUA faria planos para cortar seu orçamento de auditoria interna em 70% nos próximos dois anos?

Os cortes propostos ao orçamento do Serviço de Auditoria Naval (Naval Audit Service), na prática, desmantelariam a agência, deixando-a com apenas 85 funcionários, em vez de seu atual quadro de 290 funcionários. Em comparação, as agências de auditoria do Exército e da Força Aérea dos EUA executam suas missões com mais de 600 funcionários cada. Tal movimento da Marinha não só devastaria os serviços críticos de avaliação, como também enfraqueceria severamente a fiscalização de uma organização massiva, cujo orçamento era de quase $206 bilhões de dólares dos contribuintes em 2020.

E mais, um corte tão drástico seria imprudente em um momento em que os orçamentos propostos para a Marinha antecipam a entrada de um enorme fluxo de dólares fiscais para acelerar a construção naval. O orçamento do Departamento de Defesa (Department of Defense – DoD) proposto para 2022 inclui cerca de US$ 167 bilhões para projetar e construir mais de 100 navios nos próximos anos, de acordo com relatórios publicados.

A História serve de lembrete de que tais interesses ambiciosos de construção são ideais para fraudes, desperdícios e abusos. O Serviço de Auditoria Naval tem registros que comprovam a identificação eficaz de tais desperdícios. Apenas nos últimos seis meses de 2020, o serviço publicou 19 relatórios, fez 85 recomendações e identificou aproximadamente US$ 192 milhões em potenciais benefícios monetários. Esse valor final é particularmente relevante quando se considera que o orçamento inteiro do Serviço de Auditoria Naval para 2020 foi de US$ 46,1 milhões.

É preocupante, se não surpreendente, que a Marinha esteja disposta a lançar mais de 200 auditores internos dedicados e eficazes ao mar com uma decisão tão míope. Como auditor do Departamento de Defesa (DOD) dos EUA por mais de 21 anos, muitas vezes testemunhei funções de auditoria do DOD sofrendo cortes desproporcionais. Embora a auditoria interna no governo não deva ser imune a cortes, uma redução de 70% nas capacidades de supervisão de auditoria da Marinha seria nada menos do que imprudente e perigosa. Seja intencionalmente ou por acaso, outro efeito de tais cortes seria amordaçar ou privar o Serviço de Auditoria Naval de seu papel de “cão de guarda”.

O orçamento proposto pelo DOD é uma herança do governo presidencial anterior. Exorto fervorosamente que o atual governo reconsidere essa abordagem mesquinha e incoerente ao financiamento da auditoria interna. Na verdade, o novo governo pode afirmar seu compromisso com a prestação de contas, supervisão e avaliação quanto aos dólares dos contribuintes, garantindo que todos os serviços de auditoria do governo sejam devidamente financiados. Para isso, enviei uma carta à Casa Branca e ao Secretário de Defesa, solicitando a reconsideração das reduções propostas ao orçamento do Serviço de Auditoria Naval.

Durante meus anos no Pentágono, a palavra que ouvi mais frequentemente foi administração. Líderes militares, na época, enfatizavam constantemente a importância de serem bons administradores dos recursos dos contribuintes. Uma boa administração é mais importante hoje do que nunca. As nossas instituições governamentais precisam de uma avaliação confiável e independente, essencial para combater o desperdício, a fraude e a apropriação indébita; proteger os dólares dos contribuintes; e servir ao bem público. Reduzir serviços eficazes de fiscalização e avaliação em um momento em que a Marinha se prepara para conceder bilhões de dólares dos contribuintes em contratos de construção não significa boa administração. Na minha opinião, levar adiante os cortes drásticos ao orçamento do Serviço de Auditoria Naval é uma receita para o desastre.

Richard F. Chambers, presidente e CEO do Global Institute of Internal Auditors, escreve um blog semanal para a InternalAuditor.org sobre questões e tendências relevantes para a profissão de auditoria interna.

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