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Para a Auditoria Interna, sucesso vem de 5 As

Para a Auditoria Interna, sucesso vem de 5 As
22/09/2020



Quase todas as semanas, nos últimos 11 anos, publiquei artigos sobre vários aspectos da auditoria interna. Cobri centenas de tópicos e examinei dezenas de questões que a profissão enfrenta, desde independência e coragem diante do fogo, até a construção de relacionamentos com os stakeholders e a compreensão da causa raiz de escândalos de destaque. Em cada postagem do blog, eu esperava transmitir conhecimentos e perspectivas sobre as funções e responsabilidades da auditoria interna.

Como você pode imaginar, durante um período tão longo, vi tendências — e prioridades — irem e virem. Fiquei maravilhado com a evolução da profissão e descobri algumas verdades claras:

  • A auditoria interna é um componente essencial de uma governança corporativa sólida.
  • Os auditores internos devem se comprometer com a aprendizagem ao longo da vida toda.
  • Construir relacionamentos com os stakeholders é fundamental para o sucesso.
  • Riscos e oportunidades são lados opostos da mesma moeda.
  • A auditoria interna deve ser flexível e ágil para acompanhar o ritmo do risco — um amigo e inimigo inconstante.
  • Nos últimos meses, tenho pensado muito sobre os fundamentos da profissão de auditoria interna. Há um vasto corpo de conhecimento, ancorado pelo International Professional Practices Framework do The IIA. No fim das contas, no entanto, existem alguns axiomas básicos que acredito que definem o sucesso de qualquer função de auditoria interna.

Com base em mais de 45 anos nesta profissão, acredito que existam cinco princípios básicos para o sucesso dos auditores internos. Chamo-os de os 5 As da Auditoria Interna Eficaz:

Avaliar os Riscos. Avaliar com sucesso os riscos de sua organização é fundamental para o trabalho de auditoria interna. Como já disse e escrevi em inúmeras ocasiões, os auditores internos devem, antes de mais nada, acompanhar os riscos. No entanto, devemos buscar uma perspectiva ampla de como avaliar esses riscos. Além de identificar as coisas que ameaçam perturbar ou impedir a organização de atingir seus objetivos, devemos avaliar a adequação do gerenciamento de riscos, da governança organizacional e da cultura. Devemos entender o apetite do conselho a riscos e avaliar se a gestão executiva está operando dentro desses limites. Para fazer essas coisas, devemos ter um profundo entendimento das metas e estratégias da organização, bem como do setor em que a organização opera.

Alinhar a cobertura de auditoria interna, para se concentrar nos riscos iminentes. Pela minha experiência, o caminho mais certo para o fracasso dos auditores internos é aquele pavimentado com preferências e prioridades pessoais. O motivo pelo qual avaliamos os riscos é para identificar claramente as áreas em que precisamos nos concentrar. Os auditores internos devem construir relacionamentos com os principais stakeholders, para permanecerem alinhados e relevantes. Fixar-se em riscos conhecidos e se afastar das metas e estratégias da gestão executiva e do conselho certamente levarão à irrelevância. No entanto, não cometa o erro de pensar que a auditoria interna deve estar em sintonia com os stakeholders. Ter uma compreensão precisa das metas e estratégias e estar em alinhamento com elas permitem aos profissionais a oportunidade de oferecer mais conhecimentos e previsões.

Assegurar a gestão e o conselho de que os riscos sejam gerenciados com eficácia e que os controles sejam criados e implantados com eficácia. Este é o serviço fundamental da auditoria interna. A avaliação da eficácia do reporte financeiro, conformidade, operações, cibersegurança e outras áreas oferece conforto à gestão e ao conselho de administração de que a organização é gerida com eficácia. Antes de podermos prestar tal avaliação, no entanto, devemos ter planejado, conduzido e reportado cuidadosamente os resultados de nossos trabalhos. Se identificarmos problemas, devemos articular a condição, efeito, causa, critérios e recomendações. É de particular importância nos certificarmos de que cavamos fundo o suficiente para expor as causas raízes de falhas e fraquezas do gerenciamento de riscos ou de controle.

Além disso, a avaliação da governança e da cultura organizacional assume métricas mais subjetivas e o julgamento do profissional. Alguns profissionais sentem-se menos à vontade para auditar as “coisas informais", mas isso é cada vez mais vital para prestar uma avaliação geral eficaz.

Assessorar a gestão e o conselho com base em nossa vasta experiência. Conforme o cenário de risco se torna cada vez mais complexo e acelerado para a maioria das organizações — alimentado pela tecnologia e suas influências disruptivas —, os serviços de assessoria de auditoria interna são mais importantes do que nunca. Afinal, há pouco valor em informar aos stakeholders que erros foram cometidos, quando poderíamos ter ajudado a evitar os erros, assessorando durante o projeto e sua execução. A avaliação é olhar precisamente para o espelho retrovisor. No entanto, como todo motorista sabe, acidentes são evitados quando olhamos ao redor e para a frente.

Antecipar os riscos de amanhã. A capacidade de antecipar as necessidades da organização, bem como seus riscos, aumenta o perfil e o valor da auditoria interna. Ter uma noção dos riscos emergentes, tecnologias disruptivas e ameaças que estão logo além do horizonte torna a auditoria interna indispensável. Este também é um passo para alcançar o status de agentes de mudança. Esta é uma frase sobre a qual você ouvirá mais nas próximas semanas e meses.

Existem muitas ferramentas que nos lembram dos fundamentos de uma auditoria interna eficaz. Não há substitutos para os princípios e normas contidos no International Professional Practices Framework. No entanto, acredito que os 5 As da Auditoria Interna Eficaz sejam uma ferramenta que pode nos guiar em nossa busca pelo sucesso. Eles devem ser vistos como nem mais nem menos. Lembram-nos do que devemos fazer, de onde devemos nos concentrar e de quais são nossas metas finais. São projetados para serem direcionais, não instrucionais. Eles são um começo, não um fim em si mesmos. São ferramentas da profissão, mas são os usuários das ferramentas que são os verdadeiros artesãos.

Como sempre, aguardo seus comentários.

Divulgação:

Richard F. Chambers, presidente e CEO do Global Institute of Internal Auditors, escreve artigos semanais para um blog da InternalAuditor.org sobre assuntos e tendências relevantes para a profissão de auditoria interna.

Este artigo foi reproduzido do InternalAuditor.org com permissão do Instituto de Auditores Internos, Inc. traduzido do inglês para o português.

                       

Tradução IIA Brasil

 

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